08/07/2021 às 17h53min - Atualizada em 08/07/2021 às 17h53min

CPI diz em carta a Bolsonaro que só ele pode tirar “peso terrível” da suspeição sobre Ricardo Barros

Segundo relato de denunciantes, presidente teria dito que suposta irregularidade na compra de vacina indiana era “coisa” do líder do governo na Câmara.

Em carta protocolada na tarde desta quinta-feira (8) no Palácio do Planalto, o comando da CPI da Pandemia diz à Jair Bolsonaro (Sem Partido) que só ele pode retirar o “peso terrível” dos ombros do deputado Ricardo Barros (PP), líder do governo apontado como envolvido na aquisição irregular de vacinas.

O anúncio de que a carta seria enviada foi feito de manhã pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD). Segundo ele, o motivo do envio da carta é o fato de, 13 dias depois, Bolsonaro ainda não ter se manifestado sobre a declaração do deputado Luis Miranda (DEM). À CPI, Miranda disse que ele e o irmão informaram ao presidente sobre suspeitas em relação à compra da vacina indiana Covaxin. Segundo relato dos irmãos Miranda, Bolsonaro teria reagido dizendo que aquilo era “coisa” de Ricardo Barros.

Na carta, assinada por Aziz, por Randolfe Rodrigues (Rede), vice-presidente da CPI, e pelo relator Renan Calheiros (MDB), os três dizem ao presidente:

“Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o Deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo numa função proeminente”.

Os membros da CPI também pedem na carta que Bolsonaro se posicione de maneira “clara” e “cristalina”.

“Rogamos a Vossa Excelência que se posicione de maneira clara, cristalina, republicana e institucional, inspirando-se no Salmo tantas vezes citado em suas declarações em jornadas pelo país: ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertarás’”.

Os senadores afirmam que tomaram a iniciativa de enviar a carta a Bolsonaro porque se passaram 13 dias da fala de Miranda na CPI sem que Bolsonaro se manifestasse sobre a reunião com o deputado e se ele realmente citou o nome do deputado Ricardo Barros.

“Vossa Excelência não emitiu qualquer manifestação afastando, de forma categórica, pontual e esclarecedora, as graves afirmações atribuídas a Vossa Excelência, que recaem sobre o líder de seu governo”, diz a carta.

Os parlamentares afirmam que o propósito da iniciativa é o de “colaboração, esclarecimento e elucidação dos fatos” e que o silêncio de Bolsonaro cria “uma situação duplamente perturbadora”.

De um lado, escreveram os senadores, o silêncio do presidente contribui para a "execração do deputado Ricardo Barros, ao não contar com o desmentido firme e forte daquele que participou da conversar com os irmãos Miranda".

No outro, disseram os congressistas, ao responder, Bolsonaro contribuirá para que sejam tomadas “medidas disciplinares procedentes” contra Luis Miranda caso as afirmações sejam falsas.

Leia abaixo a íntegra da carga da CPI ao presidente:

“Brasília, 8 de julho de 2021

A Sua Excelência o Senhor

Jair Messias Bolsonaro

Presidente da República Federativa do Brasil

Senhor Presidente,

Como é de conhecimento público, foram realizados no plenário desta Comissão Parlamentar de inquérito, no último dia 25 de junho de 2021, os depoimentos do Deputado Luís Miranda e de seu irmão, o servidor público Luís Ricardo Miranda.

Entre os inúmeros temas tratados, os depoentes descreveram em detalhes o encontro que mantiveram com Vossa Excelência, no Palácio da Alvorada, no dia 20 de março de 2021, ocasião na qual teriam lhe alertado a respeito do vícios insanáveis e indícios de ilegalidades na documentação referente à importação de 20 milhões de doses da vacina Covaxin.

Um dos temas mais sensíveis, motivo deste expediente especificamente, constitui a referência que teria sido feita por Vossa Excelência ao Líder do Governo na Câmara dos Deputados, Deputado Ricardo Barros.

Segundo o deputado Luís Miranda, Vossa Excelência teria dito o que se segue, conforme consta registrado da notas taquigráficas:

“O presidente entendeu a gravidade. Olhando nos meus olhos, ele falou: “Isso é grave!”.

“Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: “Isso é coisa de fulano”. “Vou acionar o DG da Polícia Federal, porque, de fato, Luis, isso é muito grave, isso que está ocorrendo”.

Posteriormente, o Deputado Luís Miranda, declarou à CPI: “Foi o Ricardo Barros que o presidente falou. Foi o nome Ricardo Barros”.

Solicitamos, em caráter de urgência, diante da gravidade das imputações feitas a uma figura central desta administração, que Vossa Excelência desminta ou confirme o teor das declarações do Deputado Luís Miranda.

Tomamos essa iniciativa de maneira formal, tendo em vista que no dia de hoje

Somente Vossa Excelência pode retirar o peso terrível desta suspeição tão grave dos ombros deste experimentado político, o Deputado Ricardo Barros, o qual serve seu governo em uma função proeminente.

O propósito desta iniciativa é de colaboração, esclarecimento e elucidação dos fatos. Frisamos que a manutenção do silencio de vossa Excelência, em relação a este fato específico, cria uma situação duplamente perturbadora.

De um lado, contribui para a excreção do Deputado Ricardo Barros, ao não contato com o desmentido firme e forte daquele que participou da conversa com os irmãos Miranda.

Segundo, ao não desmentir o relato do Deputado Luís Miranda, impede-se que, em não sendo verdadeiras as referenciadas informações, sejam tomadas medidas disciplinares pertinentes, porquanto é inadmissível que um parlamentar, no exercício do mandato, faça tal afirmação envolvendo o Presidente da República e Líder do Governo e, sendo inverídica, não responda por este grave ato.

Caso Vossa Excelência desminta, de forma assertiva, as palavras do Deputado Luís Miranda, essa Comissão Parlamentar de Inquérito se compromete a dele solicitar esclarecimentos adicionais e provas do que disse, e, na hipótese de não haver provas, tornar claro que se trata apenas um conflito de versões. Ademais, em havendo tal conflito, será permitido à sociedade que tenha o direito de saber a verdade sobre os fatos.

Diante do exposto, rogamos a Vossa Excelência que se posicione, de maneira clara, cristalina, republicana e institucional, inspirando-se no Salmo tantas vezes em suas declarações de jornadas pelo País: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Respeitosamente,

Senador Omar Aziz

Presidente da CPIPANDEMIA

Senador Randolfe Rodrigues

Vice-presidente da CPIPANDEMIA

Senador Renan Calheiros

Relator da CPIPANDEMIA”


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