Aprovadas por unanimidade: contas de Luiz Braz desafiam discurso do atual prefeito

Se o Tribunal de Contas aprovou e a Câmara aprovou por unanimidade, o prefeito Adeildo Nogueira (PL) precisará explicar quem está errado: os órgãos de fiscalização ou ele próprio.

Por Eduardo Rodrigues
3 Min

A Câmara Municipal de Campo Limpo Paulista – SP aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (23), as contas do exercício financeiro de 2023 do ex-prefeito Luiz Braz (PSD). A decisão acompanhou o parecer favorável emitido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), órgão responsável pela análise técnica das contas públicas municipais.

O Projeto de Decreto Legislativo nº 235/2026, apresentado pela Comissão de Finanças, Contas e Orçamento, recebeu parecer favorável da Comissão de Justiça e Redação, relatado pelo vereador Leandro Bizetto (PSDB), e também parecer favorável da Comissão de Finanças, relatado pelo vereador Gilberto Galdino (PRD).

Durante a sessão extraordinária, o projeto foi aprovado por 12 votos favoráveis e nenhum contrário.

Com isso, Luiz Braz passa a ter aprovadas as contas dos exercícios de 2021, 2022 e 2023. Além disso, as contas de 2024 já receberam parecer favorável do Ministério Público de Contas, reforçando a regularidade fiscal e administrativa apontada pelos órgãos de controle.

E é justamente aqui que surge uma questão que o atual prefeito Adeildo Nogueira (PL) precisa responder à população.

Desde que assumiu o governo, uma das atividades preferidas do prefeito tem sido gravar vídeos criticando a administração anterior. O problema é que os fatos oficiais começam a desmontar essa narrativa.

As contas foram analisadas por técnicos especializados do Tribunal de Contas. Foram avaliadas por vereadores da Comissão de Justiça e da Comissão de Finanças. Depois passaram pelo crivo político da Câmara Municipal e receberam aprovação unânime.

Mais do que isso: entre os votos favoráveis estavam vereadores que hoje compõem a própria base de sustentação do prefeito.

Diante desse cenário, Adeildo Nogueira tem apenas duas alternativas.

A primeira é demonstrar, de forma objetiva e documentada, onde o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público de Contas, as comissões da Câmara e os 12 vereadores erraram ao aprovar as contas.

A segunda é admitir que sua narrativa não encontra respaldo nos órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas.

Porque existe uma diferença enorme entre fazer oposição política a uma gestão passada e sustentar acusações perante os órgãos de controle.

Quando os pareceres técnicos apontam regularidade, quando as comissões legislativas concordam e quando a votação é unânime, o debate deixa de ser sobre opinião e passa a ser sobre provas.

Sem elas, sobra apenas o discurso.

E discurso sem evidências, repetido à exaustão diante das câmeras, não esclarece a população, não resolve os problemas da cidade e não melhora a vida de ninguém.

Quando pareceres técnicos, órgãos de controle e a própria Câmara Municipal apontam numa direção, mas o prefeito insiste em seguir por outra sem apresentar provas concretas, o resultado deixa de ser um debate sério sobre a cidade.

Passa a ser apenas um monólogo insosso para apascentar bovinos. Ou, em bom português, conversa mole para boi dormir.

Enquanto isso, os problemas reais de Campo Limpo Paulista continuam aguardando soluções.


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