01/12/2019 às 12h05min - Atualizada em 01/12/2019 às 12h05min

Deputados do PSL têm acusados de tráfico, roubo e “máfia” em gabinetes

Empresário e alinhado com Bolsonaro, o deputado Anderson Moraes também emprega em seu gabinete a ex-mulher de Bolsonaro e mãe de seus três primeiros filhos, Eduardo, Carlos e Flávio, Rogéria Bolsonaro. Ela ocupa um cargo comissionado de R$ 7.300.

Foto: Divulgação/Alerj - Os deputados estaduais Anderson Moraes e Dr. Serginho, PSL do Rio de Janeiro.

Deputados estaduais do PSL do Rio de Janeiro solicitaram e receberam do governador Wilson Witzel (PSC) servidores para seus gabinetes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), cargos que se tornaram alvo de disputa após os desentendimentos entre o governador e o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido).

O Portal UOL examinou documentos ligados aos servidores e constatou que três deles têm passagem pela polícia, por crimes como associação criminosa, narcotráfico, assassinato e participação em esquema ilegal de transporte de vans. O levantamento foi feito pela reportagem com base em diários oficiais, processos da Justiça e denúncias do Ministério Público (MP).

Nos pedidos de deslocamento dos servidores à Alerj, os gabinetes dos deputados pediram nominalmente para contar com os serviços do policial civil Ricardo Wilke, do inspetor da Polícia Civil Rodrigo Correa Lima Furtado e do policial militar Hugo Werneck Cordeiro da Cruz.

Dois dos servidores citados, Wilke e Furtado, foram solicitados pelo gabinete do deputado Anderson Moraes (PSL).

Empresário e alinhado com Bolsonaro, o deputado Anderson Moraes também emprega em seu gabinete a ex-mulher de Bolsonaro e mãe de seus três primeiros filhos, Eduardo, Carlos e Flávio, Rogéria Bolsonaro. Ela ocupa um cargo comissionado de R$ 7.300.

O chefe de gabinete é Wilke, preso em abril de 2015, acusado por tráfico de drogas e roubo, junto com outras 40 pessoas, devido a uma denúncia movida pelo Ministério Público (MP). No último mês, ele recebeu o salário de R$ 9.776.

De acordo com o MP, Wilke fazia parte de um grupo que traficava drogas no Rio de Janeiro e em São Paulo, ligado às facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Já o deputado Dr. Serginho (PSL) requisitou dos quadros da Polícia Militar o policial Hugo Werneck Cordeiro da Cruz, que hoje é lotado como auxiliar 1 no Departamento de Assistência Médica com salário de R$ 4.805,94 líquidos.

O policial foi preso em maio de 2013 pelos crimes de associação criminosa e corrupção passiva.

Ele foi acusado pelo MP de participar de um esquema ilegal de transporte alternativo nas cidades de Araruama, Saquarema, Iguaba e São Pedro D'Aldeia, na região dos lagos do Rio.

Segundo a denúncia, os integrantes da denominada ´Máfia das Vans´ ostentavam características próprias de controle territorial.

O objetivo do grupo, segundo MP, era garantir o exercício do transporte coletivo alternativo de passageiros por meio de vans e veículos similares, através de motoristas e cooperativas não autorizados para tal atividade pelo Poder Público, com o respaldo de policiais e bombeiros militares.

Os policiais seriam responsáveis pela facilitação da fiscalização quanto à circulação destes veículos ilícitos de transporte, sendo certo que todos os envolvidos se beneficiam financeiramente do negócio escuso.


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