07/05/2021 às 15h57min - Atualizada em 07/05/2021 às 15h57min

Mais de 24 horas após operação, Polícia Civil não divulgou identidade dos mortos no Jacarezinho

Ao todo, 24 pessoas morreram. Um policial civil também foi a óbito no confronto.

A Polícia Civil não divulgou as identidades e os antecedentes criminais dos 24 mortos na operação do Jacarezinho, mesmo após mais de 24 horas da ação de quinta-feira (7). A polícia nega as denúncias de execução e afirma que todos são considerados suspeitos.

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro disse que ainda não conseguiu a identificação das vítimas e afirmou que nenhuma família pediu atendimento ao órgão a respeito de parentes baleados.

“A gente não tem informações, ainda, de quem foram essas pessoas mortas. Na visita que a gente fez ontem na favela, a gente viu pessoas procurando seus parentes, mas ninguém fez uma abordagem pedindo o atendimento específico da Defensoria Pública”, afirmou Maria Julia Miranda, defensora pública.

Ainda segundo a defensoria, pelo menos três pessoas teriam sido executadas na ação e as cenas do crime foram desfeitas.

Nós visitamos duas casas, a primeira a família, ela foi retirada e diz que os dois rapazes que foram mortos nessa casa entraram com vida e saíram mortos. Se eles estavam mortos, eles não poderiam ter sido retirados de dentro dessa casa. Outra casa que nós visitamos, a família presenciou a execução, onde mora a criança de 8 anos, inclusive ela presenciou a execução, que aconteceu no quarto dela. Ali também não havia nenhuma possibilidade da pessoa estar viva, ela foi retirada morta, depois de ter sido executada, segundo testemunhas, de dentro dessa casa”, completou Maria Julia Miranda.

O Governo do Estado disse o trabalho no Jacarezinho aconteceu conforme o planejado. A secretaria de Polícia Civil disse ainda que, para garantir a transparência e a lisura da operação, todos os locais de confrontos e mortes foram periciados.

“A Divisão de Homicídios se fez presente e todos os locais, sem exceção, foram periciados. A forma de enfrentamento do tráfico chegou a tal ponto, que, num desses locais, quando as equipes estavam se preparando para se retirar da comunidade, a própria perícia foi atacada, e isso resultou num novo confronto”, disse Rodrigo Oliveira.


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