19/02/2020 às 12h39min - Atualizada em 19/02/2020 às 12h42min

Professor em São Paulo preso em operação contra pedofilia filmava alunas

Ivan Secco, 54, trabalhava na unidade de Pinheiros (zona oeste) da St. Nicholas School e foi preso em operação da polícia.

A Polícia Civil prendeu na terça-feira (18) um professor de história de uma escola de elite na zona oeste de São Paulo - SP por filmar a genitália de alunas por debaixo da saia durante as aulas.

Ivan Secco, 54, trabalhava na unidade de Pinheiros (zona oeste) da St. Nicholas School. Ele foi um dos 17 presos em flagrante no estado de São Paulo no âmbito da Operação Luz da Infância, coordenada pelo Ministério da Justiça.

O professor, que também dava aulas de teatro na mesma escola, foi autuado por armazenamento e produção de conteúdo pornográfico. A polícia solicitou a sua prisão preventiva e investiga se o conteúdo foi compartilhado com terceiros.

Segundo a polícia, o suspeito escondia câmeras dentro de caixas de remédios e embaixo de carteiras para filmar sob as saias de estudantes, algumas delas de apenas dez anos. Os crimes, ainda conforme os investigadores, ocorriam há pelo menos três anos. Não se sabe se houve outros tipos de abuso.

Secco lecionava na escola há cerca de 20 anos e não tinha antecedentes criminais. Pessoas próximas ao suspeito o descreveram como alguém discreto e disseram não desconfiar de seu comportamento.

Em comunicado enviado aos pais dos alunos ainda pela manhã, a St. Nicholas School afirmou que fora “surpreendida com a operação policial de investigação de pedofilia que prendeu um de nossos professores na unidade Pinheiros” e disse ter conversado com seus professores e alunos a respeito do ocorrido.

No texto, a direção do colégio disse ter se colocado à disposição das autoridades policiais para colaborar com as investigações e que, em paralelo, abriu sindicância interna para apurar as circunstâncias. “Nós estamos em choque e nos comprometemos a entender o que aconteceu e ofereceremos apoio incondicional a toda comunidade”.

A polícia foi primeiro à casa do professor, em Pinheiros. Ele chegou a criar, segundo os investigadores, uma pasta em seu notebook com as fotos das alunas preferidas. Além do aparelho, foram apreendidos pendrives e HDs (a quantidade não foi informada).

Segundo os investigadores, ele disse em depoimento que estava arrependido e que precisava de ajuda porque estava doente.

Esta é a sexta etapa da operação, que teve como alvo 57 pessoas no estado. Além da capital, chegou aos municípios de Araçatuba, Campinas, Piracicaba, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Santos.

Participaram policiais do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope).

A operação também cumpriu 94 mandados de busca e apreensão em mais 11 estados e outros 18 em países como Estados Unidos, Colômbia, Paraguai e Panamá.

Prisões em flagrante foram registradas nos estados de Santa Catarina (9), Paraná (6), Mato Grosso do Sul (4), Ceará (2), Rio Grande do Sul (1), Mato Grosso (1) e Goiás (1).

A St. Nicholas School foi criada em 1980. Seus alunos, de várias nacionalidades, cursam da educação infantil ao ensino médio nas unidades de Alphaville e Pinheiros.

Na 6ª fase da operação Luz da Infância, os agentes da polícia buscam por arquivos com conteúdo relacionado aos crimes de exploração sexual praticados contra crianças e adolescentes. Quando chegam até os locais investigados, acabam dando voz de prisão aos suspeitos localizados.

Armazenar fotos ou vídeos de abuso e exploração sexual infantil no Brasil é crime passível de pena de 1 a 3 anos de reclusão. Na prática, ninguém vai para a cadeia se o crime não estiver associado ao compartilhamento ou à produção dessas imagens.


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