10/02/2020 às 11h27min - Atualizada em 10/02/2020 às 11h27min

Miliciano morto estava em sítio de vereador do PSL

A casa é de Gilson Batista Lima Neto, conhecido como Gilsinho da Dedé.

O miliciano Adriano da Nóbrega, que morreu na manhã deste domingo (9) após uma operação das polícias da Bahia e do Rio de Janeiro, estava escondido no sítio de um vereador da cidade de Esplanada - BA, filiado ao PSL.

A casa é de Gilson Batista Lima Neto, conhecido como Gilsinho da Dedé. Ele disse que a propriedade estava vazia, que não tinha qualquer relação com o ex-policial militar e que só soube da operação porque um vizinho lhe telefonou para avisar da movimentação.

Adriano da Nóbrega, que estava foragido há cerca de um ano, foi encontrado neste imóvel em uma ação conjunta encabeçada pela Polícia Civil fluminense e pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar baiana.

O governo da Bahia diz que os policiais deram voz de prisão, mas que o ex-policial teria reagido atirando. Ele foi baleado e levado pelos agentes ao Hospital São Francisco São Vicente. Uma funcionária disse à reportagem que Adriano já teria chegado morto ao local, diferentemente do que afirma o governo da Bahia. A versão oficial é de que ele ainda estaria vivo.

Um vídeo obtido pela reportagem mostra o interior da casa de Gilsinho após a operação policial. Os cômodos têm poucos móveis e a casa está bagunçada. Na sala, há uma grande poça de sangue no chão que se estende em direção a um quarto.

Nesse quarto, há um colchão no chão, algumas roupas, mesas e cadeiras de plástico, um ventilador e outros objetos. No quarto ao lado, há várias sacas empilhadas, encostadas na parede. “Tinha gente aí, não tinha?”, diz a pessoa que faz a gravação, não identificada.

Gilsinho confirmou que a casa retratada no vídeo é sua. “É um sitio pequeno, não tem caseiro. Só tem essa casa como um depósito de sal, essas coisas. É minha desde, se não me engano, 2014. Tem um capinzinho, de vez em quando bota um gado. Não costumo ir pra lá”, conta ele.

Esteve no sítio pela última vez, diz, há 15 ou 20 dias. “Inclusive não tem estrutura de casa de frequentar. Não tem cama, não tem essas coisas. Só passo quando tem alguma coisa, nunca dormi lá”. Em viagem com a mãe, ele disse que vai voltar para Esplanada nesta segunda-feira (10) para conseguir mais informações.

Gilsinho afirma que nunca teve contato com Adriano da Nóbrega: “Nunca conheci, tirando o que vi na imprensa nunca tive o menor contato, nenhuma relação”. Também argumenta que quando se filiou ao PSL na Bahia o partido ainda não tinha relação com Jair Bolsonaro, hoje sem partido.

Adriano da Nóbrega tinha ligação com o filho mais velho do presidente, o hoje senador Flávio Bolsonaro (Sem Partido). Flávio empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, entre 2007 e 2018, a ex-mulher e a mãe do miliciano. Adriano também é citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no gabinete de Flávio.


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