30/09/2019 às 18h04min - Atualizada em 30/09/2019 às 18h04min

Dez mais ricos do Brasil têm riqueza igual ao PIB do Equador

Muitos desses milionários não ficaram mais ricos “apesar da crise”, mas graças à ela. Eles faturam com o aumento da pobreza.

A crise do capitalismo em escala global e a falta de um projeto nacional de recuperação econômica têm piorado a vida de milhões de brasileiros dia após dia nos últimos anos, mas não foram suficientes para ameaçar as fortunas dos milionários locais. Pelo contrário: de 2018 para 2019 eles até ficaram mais ricos.

Segundo ranking divulgado pela revista Forbes na semana passada, as soma das 10 maiores fortunas do Brasil saltou de R$ 400,08 bi para R$ 408,72 bi no período - o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) total de países como o Equador, que tem quase 17 milhões de habitantes.

Muitos desses milionários não ficaram mais ricos “apesar da crise”, mas graças à ela. Eles faturam com o aumento da pobreza.

De acordo com o economista Marcelo Manzano, a lista dos dez mais ricos e o tipo de atividade que eles praticam é um exemplo do mecanismo que agrava a desigualdade e favorece os rentistas, aqueles que não, produzem nada e vivem de aplicações no mercado financeiro.

“Todos esses dez primeiros, e mais outros tantos, aplicam boa parte da sua riqueza em títulos do governo. Como o Brasil tem pago juros muito altos sobre a dívida pública, tem transferido bilhões de reais para essa camada. É um sistema extremamente injusto”, disse Manzano, que é professor de economia da Faculdades de Campinas (Facamp) e pós-doutorando do programa de Desenvolvimento Econômico no Instituto de Economia da (Universidade de Campinas) Unicamp.

Entre os dez mais riscos, cinco estão diretamente atuando no mercado financeiro, ou como banqueiros ou como gestores de fundos de investimentos.

Além disso, o Brasil é muito generoso na hora de tributar os mais ricos. A transferência do lucro das empresas para os seus acionistas, na forma de dividendos, é isenta no Brasil. Em todo mundo, apenas o Brasil e a Eslovênia não cobram imposto sobre este tipo de operação.

A outra ponta da superacumulação de renda tem origem na propriedade de bens e terras, também favorecida pelo sistema tributário.

“O Brasil se consolida como o campeão mundial de desigualdade. O sistema tributário é regressivo, ou seja, retira dinheiro dos mais pobres, através de impostos sobre o consumo, e transfere para os mais ricos pelas operações de pagamento dos títulos da dívida pública”, disse Manzano.

A lógica da tributação no Brasil é mais pesada com salários e nos gastos de consumo. Por outro lado, é mais leve nos impostos sobre o capital e rendimentos. Deste modo, o trabalhador assalariado que não tem como separar dinheiro para investir paga mais impostos, proporcionalmente, que um bilionário.

Manzano explica que um trabalhador que ganha até dois salários mínimos e gasta com aluguel, alimentação, transportes, vestuário etc., paga o equivalente a 50% da renda em impostos. Já o empresário Joesley Batista, número 7 da lista dos mais ricos, pagou em 2017 o equivalente a 3% de sua renda em imposto. Proporcionalmente, o assalariado tem uma carga tributária 16 vezes maior que o bilionário.

Confira a lista dos dez maiores bilionários brasileiros em 2019:

1. Jorge Lemann, R$ 104,71 bilhões no setor de investimentos e bebidas;

2. Joseph Safra, R$ 95,04 bilhões no setor bancário;

3. Marcel H. Telles, R$ 43,99 bilhões no setor de investimentos e bebidas;

4. Eduardo Saverin, R$ 43,16 bilhões no setor de internet;

5. Carlos A. Sicupira, R$ 37,35 bilhões no setor de investimentos e bebidas;

6. André Esteves, R$ 20,75 bilhões no setor bancário;

7. Luiz Frias, R$ 20,34 bilhões no setor bancário e mídia;

8. Joesley Batista, R$ 14,78 bilhões no setor de alimentos;

9. Wesley Batista, R$ 14,78 bilhões no setor de alimentos;

10. Candido P. Koren, R$ 13,82 bilhões no setor de saúde.


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