14/12/2021 às 11h49min - Atualizada em 14/12/2021 às 11h49min

Delegada da PF intima Bolsonaro a depor em inquérito que apura ataque hacker ao TSE

O inquérito investiga um ataque hacker efetuado contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, no início do processo de apuração das eleições municipais. Bolsonaro utilizou o inquérito para atacar sem provas a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

Redação
A delegada Denisse Ribeiro, da Polícia Federal (PF), intimou nesta terça-feira (14) Jair Bolsonaro (PL) a prestar depoimento num inquérito sobre vazamento de dados sigilosos da PF. A informação original é da jornalista Camila Matoso, da coluna Painel do jornal Folha de S. Paulo.
 
O inquérito no qual Bolsonaro está novamente intimado a depor à Polícia Federal investiga um ataque hacker efetuado contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, no início do processo de apuração das eleições municipais.
 
Bolsonaro utilizou o conteúdo do inquérito em uma entrevista em 4 de agosto para atacar sem provas a segurança das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. A apuração foi solicitada pelo TSE ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que o caso se relacionava com o inquérito das fake news e determinou investigação.
 
A delegada Denisse Ribeiro é vista dentro da Polícia Federal como inimiga do chefe do governo federal e adversária interna do ministro da Justiça, Anderson Torres. Em 16 de agosto deste ano, Torres ordenou a retirada da delegada Denisse das investigações sobre o envolvimento de bolsonaristas e do “gabinete do ódio” do Palácio do Planalto nos atos anti-democráticos que ameaçavam o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral e seus ministros.
 
Denisse Ribeiro também foi responsável pelas apurações da “Operação Acrônimo” desencadeadas como uma sub-operação da Lava Jato em Minas Gerais e que visava prender o então governador mineiro Fernando Pimentel (PT). Ao fim das apurações da Acrônimo, Pimentel foi inocentado de todas as acusações. Contudo, a gestão dele foi inviabilizada politicamente pelas ações policiais e isso comprometeu diretamente a campanha dele pela reeleição.
 
A Procuradoria-Geral da República (PGR) não tem nenhum papel nesse inquérito em que Bolsonaro está agora intimado a depor pela delegada Denisse. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinará agora a forma de depoimento de Bolsonaro e o dia, hora e local desse novo depoimento em que ele terá de explicar como recebeu informações vazadas de um procedimento sigiloso da Polícia Federal.
 
Em última instância, caso seja condenado nesse processo, Bolsonaro pode – em tese – até ficar inelegível nas eleições de 2022. É claro que falar isso agora é pôr as consequências antes dos fatos. Mas, essa é a pena política máxima desse processo.
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