27/11/2019 às 20h34min - Atualizada em 27/11/2019 às 20h34min

Horta promove socialização e muda rotina de pacientes do Caps de Cabreúva

Os pacientes do grupo são responsáveis por todos os processos que envolvem a manutenção da horta, do plantio à colheita.

Plantar, regar as plantas, esperá-las crescer, acompanhar, cuidar, limpar os canteiros, fazer a colheita. Essa rotina de manter uma horta tem ajudado no tratamento de um grupo de pacientes do Centro de Atenção Psicossocial, o Caps #Somos tão jovens, de Cabreúva - SP.

Prestes a completar dois anos, o grupo “da horta” foi a primeira terapia em grupo criado no Caps, pela terapeuta ocupacional Talyta Guarnieri, em fevereiro de 2018. “O objetivo dos grupos é a socialização desses pacientes. É um complemento ao tratamento”, destaca a terapeuta. “A maioria não tinha nenhuma experiência com esse tipo de atividade, mas a gente vai descobrindo junto como cuidar, o tempo de cada planta”.

Os pacientes do grupo são responsáveis por todos os processos que envolvem a manutenção da horta, do plantio à colheita. “É uma atividade que exige tempo, cuidado, compromisso, disciplina, paciência, porque demora pra gente colher. É uma forma de trabalhar tudo isso”, diz Talyta, lembrando algumas regrinhas para participar do grupo: “tem de ser paciente do Caps, passar por uma triagem e cumprir o horário”.

Os resultados, afirma a terapeuta, são surpreendentes. “Todos que participam se tornaram mais proativos, comprometidos”, comemora. Os pacientes se reúnem toda terça pela manhã e quarta à tarde. “Além disso, eles se dividem para virem em outros dias da semana para regar a horta. E todos cumprem direitinho”.

Como o seo Antônio Gomes da Cunha, de 68 anos, morador no Jardim Pedroso. Ele está no grupo desde o início, quando ainda era um “pedacinho” de canteiro. “Mexer com a horta me desestressa, fico mais tranquilo”, conta ele, que é o responsável por cuidar da horta às quintas-feiras. “Além de ter um compromisso, é uma terapia e está me ajudando a sair de casa”.

Também morador do Jardim Pedroso, Vicente Paulo da Silva Júnior, 43 anos, é outro que ajudou a montar a horta e sente os benefícios dessa terapia “além do consultório”. “Aqui me distrai, a cabeça fica mais calma. E a gente leva o que produz pra casa”, diz.

Nesses quase dois anos, a horta cresceu em tamanho e quantidade de culturas plantadas. “Começamos com um canteiro pequeno e três ou quatro hortaliças. Hoje, são três grandes canteiros e mais de 20 variedades, entre verduras e legumes”, compara Talyta, listando alguns itens: couve, alface, almeirão, rúcula, beterraba, chuchu, abobrinha, cenoura, berinjela, entre outros.

Talyta destaca ainda que a frequência nos grupos é uma forma de os pacientes se envolveram mais com o Caps. “Assim a gente consegue observá-los mais de perto, criar um vínculo de confiança. Tudo isso ajuda no tratamento”.


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