29/09/2019 às 15h37min - Atualizada em 29/09/2019 às 15h37min

“Sigla da Lava Jato”, Podemos vira alvo dos bolsonaristas

O Podemos tem atraído parlamentares da centro-direita descontentes com o governo. Só no Senado, foram seis novas filiações desde o início do ano.

Identificado como “partido da Lava Jato”, o Podemos atraiu a ira do bolsonarismo, que vê em movimentos recentes da sigla uma tentativa de se apropriar do espólio da operação e da imagem popular do ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e de enfraquecer a base de apoio do governo no Congresso. Na semana passada, uma postagem do vereador licenciado Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), escancarou o incômodo com o crescimento da sigla.

“É impressão minha ou esse tal de Podemos já faz bastante tempo quer tomar o lugar de um partido vermelho? A metamorfose não para um segundo!”, escreveu Carlos no Twitter. No mesmo dia, parlamentares do Podemos participaram de um protesto em Brasília contra o Supremo Tribunal Federal, ao lado de grupos que, no passado, lideraram manifestações contra o PT - como o Nas Ruas, o MBL e o Vem Pra Rua.

O Podemos tem atraído nos últimos meses parlamentares da centro-direita descontentes com o governo. Só no Senado, foram seis novas filiações desde o início do ano, o que fez o partido pular para uma bancada com 11 nomes - só atrás do MDB, com 13 integrantes. Entre esses novos filiados, está a senadora Juíza Selma, que deixou o PSL há duas semanas insatisfeita com posições recentes da sigla do presidente Jair Bolsonaro e depois de entrar em atrito com o senador Flávio Bolsonaro (PSL).

Dos 21 integrantes do grupo “Muda, Senado”, principal base de defesa da CPI e que defende até o impeachment de ministros do STF, sete são do Podemos. Pelos menos seis senadores de outras siglas que integram o grupo - PSD, PSL, Rede, Cidadania, PP, PSB e PSDB - mantiveram negociações recentes para migrar para o Podemos.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o senador do Podemos Álvaro Dias afirmou que a filiação de Moro é um “sonho de consumo” da direção da legenda. Por enquanto, porém, é vista como improvável. “Minha percepção é que o objetivo dele é retornar à Justiça na Corte maior”. Ainda assim, o discurso de defesa de Moro e da Lava Jato foram repetidos pelo senador, que pretende usar o crescimento do Podemos para viabilizar uma nova candidatura à Presidência em 2022.

Apesar do nome importado da esquerda espanhola, o Podemos nada tem de “vermelho”. Oriundo do antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN), agora unido ao Partido Humanista da Solidariedade (PHS), duas siglas de histórico fisiologista, o partido é comandado há anos pela família da deputada Renata Abreu, que preside o Podemos e é vista como hábil negociadora no mercado de trocas partidárias.

Foi prometendo o controle da legenda nos Estados - e de verbas públicas atreladas a cargos - que o Podemos se expandiu.


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