06/04/2021 às 09h54min - Atualizada em 06/04/2021 às 09h54min

Diretor do Butantan prevê 5 mil mortes diárias no Brasil e “abril dramático” pela Covid-19

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, prevê 5 mil mortes diárias por Covid em abril e defende medidas mais rígidas de isolamento.

Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas fez previsões nada otimistas sobre a Covid-19 para o mês de abril. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ele disse acreditar que viveremos um período “dramático” e que o Brasil poderá chegar em breve a cinco mil mortes diárias por causa do vírus.

“Estamos num momento em que a velocidade de transmissão ainda é muito alta. Abril vai ser o mês dramático para o Brasil. Os próximos 15 dias serão muito dramáticos. Veja, há uns 20 dias, parece que ninguém imaginava que iríamos checar à casa dos 3 mil mortos por dia. Os especialistas apontavam que estávamos caminhando disso, mas a opinião geral da população não era essa. E então cruzamos a casa dos 2 mil, já passamos na casa dos 3 mil, estamos indo para os 4 mil e vamos chegar a 5 mil mortes por dia”, disse.

Covas lamentou a falta de sincronia entre as medidas adotadas por municípios e estados e fez críticas à condução da pandemia pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido). Para o diretor, a única forma de reduzir o número de mortes é enrijecer o isolamento social em todo o país.

“O presidente acha que ficar em casa é coisa de maricas. Mas quando ele sai e leva seus seguidores para o meio da praça, ele está fazendo o jogo do vírus. Ele está fazendo darwinismo social. Expõe as pessoas ao vírus: os resistentes sobrevivem e os outros morrem”, apontou.

O Butantan é o maior produtor de vacinas contra Covid-19 no Brasil até o momento, mas não tem sido o suficiente para o país avançar com velocidade na imunização nacional. E Covas não acredita que o Ministério da Saúde consiga adquirir a quantidade necessária de insumos para que isso aconteça.

“Como houve muito atraso por parte do ministério em se definir, na hora que foi definido teve de depender da disponibilidade do fornecedor. Não adianta hoje o ministério falar que precisa, precisa, precisa de vacina. O ministério está tendo dificuldade de arrumar vacinas exatamente por isso, todo mundo já se comprometeu, todos têm seus compromissos e estão cuidando de manter esses compromissos. Avançar nisso é muito difícil porque a demanda mundial é muito grande”, considerou.

Para piorar, o diretor disse que os laboratórios terão de atualizar suas vacinas diante das novas cepas que estão surgindo pelo mundo. “Essas variantes vão continuar aparecendo. Embora a resposta neste momento, ao que tudo indica, não tenha sido muito comprometida, essas variantes precisarão ser incorporadas às vacinas. Não há dúvida nenhuma”.


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