Ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia diz que se sentiu ameaçada por Trump

Em depoimento à Câmara dos Deputados dos EUA, Marie Yovanovitch afirma que ficou preocupada ao saber que Donald Trump disse ao presidente ucraniano que ela "terá de encarar algumas coisas".

Por Redação em 04/11/2019 às 21:15:46

A ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia Marie Yovanovitch afirmou que se sentiu ameaçada pelo presidente Donald Trump por ele dizer ao ucraniano Volodymyr Zelensky que ela "deverá encarar algumas coisas". O telefonema entre os dois governantes se tornou o estopim para o pedido de impeachment contra o republicano.

As declarações de Yovanovitch à Câmara dos EUA divulgadas nesta segunda-feira (4) eram aguardadas porque Trump e Zelensky reclamaram da ex-embaixadora durante o telefonema por suposto envolvimento com governos anteriores da Ucrânia acusados de corrupção.

De acordo com a transcrição oficial do telefonema, Trump chamou Yovanovitch de "má notícia" que lidava com outras "más notícias" da Ucrânia. Zelensky, em seguida, disse concordar "100%" com a afirmação do norte-americano.

"A atitude dela comigo era longe de ser a melhor porque ela admirava o presidente anterior e estava ao lado dele. Ela não me aceitaria como o novo presidente", disse o presidente da Ucrânia.

Em seguida, Trump disse a Zelensky: "Bem, ela [Yovanovitch] vai ter de encarar algumas coisas".

Deputados questionaram a ex-embaixadora sobre como ela interpretava as declarações de Trump. "Eu não sei o que isso significa. Fiquei muito preocupada. Ainda estou", respondeu Yovanovitch durante depoimento à Câmara.

Em depoimento, Yovanovitch também afirmou que sabia do interesse do advogado de Trump, Rudolph Giuliani, em investigar o possível elo entre o ex-vice-presidente Joe Biden e a companhia de gás Burisma.

Trump retirou Yovanovitch do comando da embaixada norte-americana na Ucrânia em maio. À época, Giuliani e o presidente insistiam para que as autoridades ucranianas investigassem envolvimento de Biden e do filho dele, Hunter, no escândalo de corrupção que atingiu a empresa de gás.

Segundo a diplomata, Giuliani procurava algum fato que poderia causar danos à candidatura de Biden à Casa Branca - ele lidera atualmente as pesquisas de intenção de voto nas primárias do Partido Democrata.

Yovanovitch também disse que recebeu, em abril - portanto antes de ser retirada da embaixada -, um telefonema de uma outra funcionária da chancelaria norte-americana para que ela retornasse a Washington. "É por sua segurança", disse a servidora.

"Você precisa voltar para casa imediatamente. Você precisa pegar o primeiro avião de volta".

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