Testemunha de investigação do Congresso diz ter presenciado pressão de Trump sobre Ucrânia

Especialista em Ucrânia no Conselho de Segurança Nacional, tenente-coronel Alexander Vindman ouviu pessoalmente telefonema de Trump ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Ele também testemunhou embaixador americano pressionar funcionário de Segurança Nacional do governo ucraniano.

Por Redação em 29/10/2019 às 21:46:12

Uma nova testemunha na investigação aberta na Câmara de Representantes dos Estados Unidos sobre um julgamento político do presidente Donald Trump abalou a Casa Branca, ao declarar que presenciou funcionários do governo pressionando a Ucrânia para que favorecesse Trump.

O especialista em Ucrânia no Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês), tenente-coronel Alexander Vindman, disse ter informado, duas vezes, sobre sua preocupação com as intensas tentativas da Casa Branca para que Kiev fizesse investigações para favorecer Trump politicamente.

O testemunho foi preparado por escrito e divulgado, na noite de segunda-feira (28), antes da audiência.

Nele, Vindman relata ter ouvido Trump, pessoalmente, pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante uma conversa por telefone em 25 de julho.

Estas declarações são, até o momento, a prova mais sólida de que Trump abusou de seu poder e violou leis eleitorais para obter apoio de Kiev em sua campanha pela reeleição em 2020.

Vindman é o primeiro funcionário da Casa Branca a testemunhar no Congresso na investigação contra Trump no âmbito de um possível processo de impeachment.

Um veterano condecorado da guerra do Iraque, Vindman se apresentou nesta terça-feira de manhã no Congresso, com seu uniforme militar completo.

Trump, por sua vez, atacou o tenente-coronel pelo Twitter, classificando-o como um #NeverTrumpist, hashtag usado pelos republicanos que se opõem ao presidente.

"Mais quantos #NeverTrumpist vão ter permissão para falar sobre um telefonema perfeitamente adequado?", questionou o milionário republicano.

Republicanos fiéis ao presidente tentaram arranhar a credibilidade de Vindman, ao questionar sua lealdade. Alegaram que é um imigrante que chegou com 3 anos de idade aos Estados Unidos, procedente da União Soviética, dando a entender que o militar faz parte de uma tentativa da burocracia da Segurança Nacional americana de minar Trump.

A presença de Vindman no Congresso é um desafio às ordens da Casa Branca, que proibiu vários funcionários de atenderem à convocação do Legislativo para depor.

O militar é a primeira testemunha desta investigação que tenta estabelecer se Trump abusou de seu poder no polêmico telefonema de 25 de julho ao colega ucraniano. A ligação foi revelada por um informante anônimo.

Os republicanos minimizaram o peso de testemunhos anteriores, com o argumento de que seu conhecimento do conteúdo da conversa era oriundo de uma terceira fonte.

Em seu depoimento, Vindman afirma que, mesmo antes desse telefonema, foi testemunha de como o embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland, pressionava, durante uma reunião em 10 de julho, um funcionário de Segurança Nacional do governo ucraniano identificado como Oleksandr Danylyuk.

Segundo Vindman, Sondland disse a Danylyuk que a possibilidade de uma reunião entre Trump e Zelensky estava sujeita à abertura de uma investigação sobre os Biden.

Depois desse encontro, completou Vindman, "disse ao embaixador Sondland que suas colocações eram inadequadas, que pedir que se investigasse Biden e seu filho não tinha nada a ver com segurança nacional".

Vindman também se refere à conversa entre Trump e Zelensky.

"Não achei que fosse apropriado exigir que um governo estrangeiro investigue um cidadão dos Estados Unidos e estava preocupado com as consequências para o apoio do governo dos Estados Unidos à Ucrânia", declarou.

"Me dei conta (...) de que era muito provável que fosse interpretado como uma jogada partidária", acrescentou.

Vindman relatou suas preocupações sobre a reunião de 10 de julho e o telefonema de 25 de julho ao principal advogado do NSC.

Apesar da insistência de Trump sobre o caráter inócuo de sua chamada, a qual classificou como "perfeita", os democratas buscam avançar os procedimentos e formalizar a investigação em curso para um julgamento político em uma votação nesta quinta-feira (31), na Câmara de Representantes.

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