23/12/2020 às 11h17min - Atualizada em 23/12/2020 às 11h31min

A história do nazismo no Brasil (agora e antes)

Grupos neonazistas ganham novos adeptos todos os dias, segundo estudo a cada quatro segundos há uma nova postagem antissemita no Twitter. Conheça as história e destinos dos principais nazistas que viveram tranquilamente no Brasil, e ajudaram de uma forma ou outra a perpetuar a maldade e injustiça.

Josef Mengele, ao centro, junto com oficiais do campo de extermínio de Auschwitz, 1944.

Parece impensável que grupos nazistas ainda existam, no entanto, dados demonstram que eles cresceram significativamente ao redor do mundo. Claro que parte desse crescimento envolve a internet, no Brasil, por exemplo, o movimento neonazista ganha novos adeptos em fóruns, sites e comunidades em redes sociais diariamente. De acordo com um estudo realizado pela antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias há uma postagem antissemita no Twitter a cada quatro segundos.

Mas muito antes da internet, os nazistas já eram mestres em comunicação. E para compreender o atual momento, é preciso conhecer o passado, principalmente pela perspectiva de seus protagonistas. Em sua nova obra “Personagens do Terceiro Reich”, publicada pela Editora 106, o historiador Rodrigo Trespach apresenta a biografia de pessoas que fizeram parte da história do nazismo no Brasil. Como chegaram, o que fizeram e que fim tiveram.

Uma vez que as ideias de Hitler cresciam, elas também se espalhavam pelo mundo germânico levadas por imigrantes, religiosos, empresários, industriais, representantes industriais e diplomáticos. Antes mesmo da chegada do nacional-socialismo ao poder na Alemanha, a sombra da suástica já habitava nossos territórios. Criada em 1928, em Benedito Timbo, então distrito de Blumenau, estava a seção do Partido Nazista, o primeiro grupo fora do território alemão a ser reconhecido pelas lideranças do partido em Munique.

No começo da década de 1930, o número de adeptos ao redor do mundo era tão alto, que a “Organização do Partido Nazista no Exterior”, NSDAO-AO foi criada em mais de 80 países. Inicialmente a sede brasileira ficou localizada no Rio de Janeiro, mas em 1934, mudou-se para São Paulo, onde haviam mais filiados. Até 1937, o Brasil contava com 2.903 partidários nazistas registrados e além dos membros formais alemães, haviam também um número considerável de simpatizantes nacionais, com alguma ligação com a Alemanha que estiveram envolvidos com atividades nazistas, como publicações em periódicos como o Deutscher Morgen. Jornal autoproclamado “folha oficial do Partido Nazista no Brasil”, situado na Mooca em São Paulo - SP, patrocinado por grandes marcas - conhecidas até hoje, e comandado pelo também líder da primeira sede brasileira, o representante comercial e adido da embaixada alemã no país, Hans Henning von Cossel.

Em 1942, quando Getúlio Vargas declarou o estado de beligerância, os chamados “quintas-colunas”, traidores, espiões e estrangeiros a trabalho destes crimes foram caçados e milhares de pessoas foram presas. Dessa forma, aos poucos a ação sombria perdeu força em território nacional. No entanto, com o fim da Guerra, mesmo com as células nazistas e de espionagem há muito desarticuladas, o Brasil voltou a tornar-se destino de criminosos que fugiam das tropas Aliadas ou da justiça em seus países de origem. Inúmeras rotas de fugas foram organizadas, inclusive pelo Vaticano, onde o bispo Alois Hudal, chefe da congregação austro-alemã fez as chamadas “rotas dos ratos”, fornecendo passaporte e vistos falsos para os criminosos e suas famílias.

A “Rota dos Conventos” (via Roma-Genova) e a “Conexão Suíça” (por Berna), trouxe a América do Sul fugitivos importantes da hierarquia, como Adolf Eichmann, um dos organizadores da Solução Final, e Josef Mengele, o sádico médico-chefe de Auschwitz. Além de Mengele, pelo menos três outros criminosos da guerra nazista viveram tranquilamente no Brasil, Franz Stangl, Gustav Wagner e Herberts Cukurs.

Conheça agora um pouco da história e destino de cada um:

O anjo da morte, Mengele chegou a receber a visita de seu filho em São Paulo, Rolf, que morava na Alemanha, e viveu sem ser importunado até sofrer um derrame e morrer afogado na praia de Bertioga, no litoral paulista, enquanto visitava uma família de amigos.

Stangl, um do mais eficientes e terríveis oficiais nazistas, trabalhou na indústria têxtil e na Volkswagen, foi preso em 1967 em sua residência no Brooklin e extraditado para a Alemanha Ocidental, condenado a prisão perpétua. Morreu em 1970 de insuficiência cardíaca em sua cela.

Wagner, conhecido por seu sadismo e lealdade à SS, foi reconhecido como um dos mais brutais homens dos campos da morte, com a ajuda do Vaticano, ele chegou a Síria e depois ao Brasil, onde aportou em abril de 1950. Viveu em um sitio de Atibaia até 1978 quando foi capturado, e apesar de inúmeras tentativas de extradição e recusa do governo brasileiro, ele próprio tirou sua vida cravando no coração uma faca usada para carnear porcos, mas sem nunca se arrepender por seus crimes.

Já Cukurs, o açougueiro de Riga, desembarcou no Brasil em marco de 1946, alegando que fugira dos comunistas tentando salvar mulheres judias. No Rio de Janeiro construiu os pedalinhos e organizou passeios na Lagoa Rodrigo de Freitas. Em São Paulo, no bairro de Interlagos, investiu numa empresa de lanchas e hidroaviões de aluguel. Apenas em fevereiro de 1965, ele foi atraído por um agente israelense (que usava o pseudônimo de Anton Kuenzle) para o que imaginou ser uma reunião de negócios em no Uruguai. Lá foi executado pelo Grupo de Operações Especiais de Israel. Seu corpo foi colocado dentro de um baú e trancafiado. Junto ao cadáver havia um bilhete que responsabilizava Cukurs pela morte de milhares de homens, mulheres e crianças. O bilhete foi assinado por “aqueles que nunca esquecem”.

Ficha técnica:

Título: Personagens do Terceiro Reich: a história dos principais nomes do nazismo e da Alemanha na Segunda Guerra Mundial

Autor: Rodrigo Trespach

Editora: 106 Biografias

Idioma: Português

Gênero: História, Biografia, Segunda Guerra, Nazismo

Edição: 1ª/2020

ISBN: livro impresso: 978-65-87399-07-2 | ebook: 978-65-87399-08-9

Páginas: 240

Preço: 54,90

Link de compra: https://amzn.to/2J0asYI

Sobre o autor: Rodrigo Trespach nasceu em Osório, RS. É historiador, pesquisador e autor de doze livros, entre eles, O Lavrador e o Sapateiro (2013), Quatro Dias em Abril (2016), os quatro livros da coleção Histórias não (ou mal) contadas (2017 e 2018) e 1824 (2019). Também é autor de diversos artigos e matérias para jornais e revistas nacionais e internacionais. Veja mais em rodrigotrespach.com


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