23/06/2020 às 19h12min - Atualizada em 23/06/2020 às 19h12min

PF diz ao STF que precisa ouvir Bolsonaro sobre tentativa de interferência na instituição

Delegada que conduz inquérito disse ao ministro Celso de Mello, relator do caso, que investigações estão “em estágio avançado” e é necessário ouvir presidente “nos próximos dias”.

A Polícia Federal (PF) disse ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que será preciso ouvir Jair Bolsonaro (Sem Partido) no inquérito sobre a tentativa de interferência na autonomia da instituição. De acordo com informações do Portal G1, o ofício enviado ao STF foi assinado pela delegada Christiane Correa Machado.

“Informo a Vossa Excelência que as investigações se encontram e estágio avançado, razão pela qual nos próximos dias torna-se necessária a oitiva do Senhor Jair Bolsonaro, Presidente da República”, diz o texto do ofício.

O ministro Celso de Mello já manifestou em outras ocasiões que, independente do cargo, investigados devem depor pessoalmente. A delegada pediu ao ministro Celso de Mello, no último dia 29, que o inquérito fosse prorrogado por mais 30 dias.

Três dias após a demissão do então ministro da Justiça, Sergio Moro, a investigação foi autorizada pelo STF, em 27 de abril. Ao anunciar a demissão do cargo, Moro afirmou que o presidente interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo. Bolsonaro nega a acusação.

Diante das suspeitas, os investigadores pediram mais prazo para se aprofundar nas investigações na superintendência da PF no Rio de Janeiro, com o objetivo de analisar inquéritos que envolvem a família Bolsonaro.

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Bolsonaro no vídeo da reunião de 22 de abril, divulgado por decisão do ministro Celso de Mello.

A investigação aguarda informações sobre a troca na segurança pessoal do presidente e seus familiares. Segundo o G1, o Jornal Nacional já mostrou que um mês antes da reunião ministerial que o presidente afirmou que não conseguia fazer trocas, o chefe do departamento de segurança foi substituído pelo segundo na hierarquia, além do responsável pelo escritório do Rio de Janeiro.


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