12/06/2020 às 02h43min - Atualizada em 12/06/2020 às 02h43min

Flávio e Carlos Bolsonaro usaram dinheiro vivo para pagar débito com corretora

Filhos de Bolsonaro pagaram R$ 31 mil em caso que virou disputa judicial; uso de repasses em espécie é evidência de esquema de corrupção apontado pelo MP.

O senador Flávio e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) pagaram R$ 31 mil com dinheiro vivo para cobrir prejuízos que tiveram em investimentos feitos na Bolsa de Valores, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, publicada na noite desta quinta-feira (11).

Os investimentos foram realizados por meio de uma corretora de valores. O repasse para quitar a dívida ocorreu em maio de 2009, dentro do período sob investigação do Ministério Público (MP) sobre a “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. Carlos também é alvo de investigações do MP, sob suspeita de empregar funcionários fantasmas na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O uso de dinheiro vivo foi relatado pelos dois filhos de Jair Bolsonaro (Sem Partido) à Justiça de São Paulo em processos que moveram contra o Citigroup, banco que comprou a Intra, corretora que originalmente negociou com os dois irmãos.

Eles acusam um operador da corretora de realizar investimentos em desacordo com suas orientações. Ambos perderam a ação em primeira instância. Os pagamentos cobriram o prejuízo do investimento, iniciado em 2007. Carlos declarou ter repassado R$ 130 mil à Intra, e Flávio, R$ 90 mil.

De acordo com os processos, Flávio e Carlos foram informados em maio de 2009 de que tinham um débito de R$ 15,5 mil cada a quitar por perdas ocasionadas pela crise financeira de 2008 que atingiu fortemente a Bolsa.

No processo, Flávio afirma que foi informado pelo gerente da mesa de operações da corretora sobre o débito. A entrega do dinheiro ocorreu na casa dele, à época em Botafogo, zona sul do Rio.

“Assustado, o autor disse que não dispunha deste valor em conta corrente, mas entregaria o referido valor em espécie, no intuito de não ter o seu nome negativado e de não recair sobre si a ‘responsabilidade’ pelo não pagamento de funcionários da corretora”, escreveu a defesa de Flávio.

O uso de dinheiro vivo é uma das evidências apontadas pelo MP sobre a existência da “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio. Segundo os promotores, o operador do esquema era o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de Jair Bolsonaro há mais de 30 anos.

As investigações apontam que alguns assessores de Flávio sacavam seus salários e repassavam para Queiroz. Para os promotores, as transações eram a forma de lavagem do dinheiro obtido com a “rachadinha”, além da operação de uma loja de franquia de chocolates e vendas de apartamentos.

O relato feito por Carlos é semelhante ao do irmão, descrevendo também o uso de recursos em espécie para pagar o débito, de mesmo valor.

Procurados pelo jornal, os irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro afirmaram, em nota conjunta, que o pagamento em espécie não configura uma irregularidade. Eles também buscaram desvincular o episódio dos fatos em investigação pelo Ministério Público.


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
;
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp