03/04/2020 às 10h52min - Atualizada em 03/04/2020 às 10h52min

Pesquisadores mostram como as “fake news” são propagadas pelos robôs bolsonaristas

Pesquisadores da Unicamp analisam notícias falsas geradas pela família Bolsonaro e compartilhadas nas redes sociais.

Blog do Esmael

O Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais (EDReS) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vem desenvolvendo um importante trabalho no sentido de identificar as “fake news” criadas e disseminadas por Jair Bolsonaro (Sem Partido) e seu grupo, que inclui um exército do robôs nas redes sociais.

Mesmo após o Twitter, Facebook e Instagram apagarem publicações de Bolsonaro por entenderem que os conteúdos causavam “desinformação” e provocavam “danos reais às pessoas”, Bolsonaro continuou propagando notícias falsas sobre a pandemia em pronunciamentos, nas ruas e nas redes.

De acordo com Leandro Tessler, do Grupo de Estudos da Unicamp, a difusão de conteúdos falsos tem origem nos perfis de Bolsonaro e de seus aliados conta com uma rede de boots (usuários robôs) que atuam espalhando massivamente cada publicação.

O grupo criou uma hotline, canal de denúncias, no WhatsApp para mapear e combater as “fake news” sobre o novo coronavírus nas redes sociais.

Desde o início de março, já foram reunidos mais de 8 mil contatos e 30 mil denúncias, que estão sendo classificadas por inteligência artificial e depois serão estudadas para identificar as motivações dos compartilhamentos e ainda suas fontes nas redes sociais, Instagram, Twitter, YouTube e Facebook.

Mesmo antes da análise final dos dados, Tessler destaca que é possível observar vínculo direto entre desinformações de cunho político e os discursos do presidente.

“Mais recentemente, o que eu tenho visto é que vinham circulando na semana passada muita coisa de vírus chinês. Dizendo que isso é um plano deliberado chinês para abaixar os mercados do mundo, comprar empresas a preços baixo e dominar o mundo. Parece desenho animado”, conta ele.

A “fake news” citada por Tessler iniciou na conta de um dos filhos de Jair Bolsonaro, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL).

Um dia após a postagem, feita no dia 18, a reportagem da Agência Pública chegou a identificar 94 mil tuítes e retuítes, uma média de 3 por segundo, de perfis automatizados no Twitter com a hashtag #VirusChines.

Além da crise diplomática com a China, a reportagem identifica outra fake news, como a do borracheiro morto por um pneu que explodiu e que teve apontada como causa da morte a Covid-19 no atestado de óbito; a da Cloroquina, e a do isolamento vertical. Todas elas ajudam a sustentar o discurso de Bolsonaro que é contra o isolamento das pessoas.

Ou seja, as notícias falsas não são brincadeiras. Elas têm objetivos claros e métodos sofisticados de propagação. O exército de perfis falsos nas redes sociais (os robôs) é o que possibilita a rápida disseminação desses conteúdos, rivalizando com a velha mídia.

Para repassar informações falsas para o Grupo de Estudos da Desinformação em Redes Sociais (EDReS) da Unicamp sobre o coronavírus basta enviar uma mensagem via WhatsApp para o número (19) 99327-8829.


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