22/03/2020 às 13h31min - Atualizada em 22/03/2020 às 13h31min

Trabalhadores informais questionam auxílio de R$ 200: “Chega a ser piada”

Para eles, auxílio é “melhor do que nada”, mas poderia ser maior. Os profissionais autônomos não viram muitas vantagens na quantia oferecida. Sem oportunidade de trabalho, no entanto, parte deles poderá aderir.

A proposta do governo de auxílio de R$ 200, para autônomos que não conseguirem renda durante a crise do novo coronavírus, não agradou os próprios trabalhadores informais.

Para eles, auxílio é “melhor do que nada”, mas poderia ser maior. Os profissionais autônomos ouvidos pelo Portal UOL não viram muitas vantagens na quantia oferecida. Sem oportunidade de trabalho, no entanto, parte deles poderá aderir.

Apresentada pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, a ideia é pagar R$ 200 mensalmente por três meses aos trabalhadores que precisarem de renda. Ao todo, o governo separou R$ 5 bilhões mensais para a iniciativa, a serem pagos pela Caixa Econômica Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O comentário geral é que R$ 200 por mês - ou R$ 6,60 por dia, em média - não é suficiente. “Não é de se jogar fora, não. Dá para uns gorós”, ri Lucas de Lima, que vende mandioca nas ruas de Pinheiros para ajudar o pai, feirante. “Sem maldade. Não é um dinheiro que eu não quero. Pô, me dá R$ 200? Todo mundo quer. Mas se é uma ajuda do governo, acho que poderia ajudar com mais, né? Tanto de imposto que todo mundo paga”, conclui.

O cabeleireiro Rodrigo Teixeira também vê poucas vantagens. “Essa ajuda é bem complicada, né? Com isso no mês, o que dá para pagar? Tem gastos de água, luz, aluguel... Se colocar na ponta da caneta, não paga nenhum, é um valor simbólico, chega a ser piada”, declara.

A diarista Marinalva Souza acha que o cálculo apresentado por Guedes “não tem a ver com a realidade”. Para ela, se o ministro “realmente quer ajudar”, deveria ter sugerido diferentes faixas de auxílio.

“Pagar R$ 200 para quem trabalha por conta [própria] é muito pouco, é menos do que a minha diária. Sei que tem gente que depende desse dinheiro, mas no mês? No mês não dá para nada. Ele não entende isso?”, questiona a diarista.

Ela propõe que fossem apresentadas diferentes faixas de auxílio, baseadas, por exemplo, na contribuição das pessoas.

“Deveria ter diferentes níveis. Para quem é autônomo, MEI [Microempreendedor Individual], é uma contribuição porque tem o próprio negócio, precisa de mais. Quem presta serviço, é outra. E deveria ter também para ajudar os moradores de rua. Que ele use esse dinheiro para eles, já vai ajudar bastante”, sugere Marinalva.


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