27/02/2020 às 22h36min - Atualizada em 27/02/2020 às 22h36min

Nos bastidores, Rodrigo Maia já teria sinalizado que pode abrir processo de impeachment contra Bolsonaro

Informações fornecidas a mais de um interlocutor, segundo o jornalista George Marques, dão conta de que o presidente da Câmara encaminharia o processo caso recebesse um pedido de impeachment bem fundamentado.

A palavra “impeachment” já circula pelos corredores do Congresso Nacional. As articulações para o impedimento de Jair Bolsonaro (Sem Partido) ganharam força principalmente depois da notícia de que o presidente compartilhou vídeos convocando apoiadores para os atos do dia 15 de março que pedirão o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Para inúmeros juristas, a incitação do presidente a atos conta as instituições configuram crime de responsabilidade.

Em meio a essas articulações, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), já haveria afirmado para mais de um interlocutor que estaria disposto a aceitar e dar encaminhamento a um processo de impeachment caso recebesse um pedido “bem fundamentado”. As informações são do jornalista George Marques, que cobre os bastidores do Congresso Nacional.

“Em tempo, conta-se nos bastidores que nos últimos dias, a mais de um interlocutor, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que, se receber um pedido de impeachment bem fundamentado contra Bolsonaro, ele poderá aceitá-lo e dar encaminhamento ao processo”, tuitou Marques nesta quinta-feira (27).

Na quarta-feira (26), o líder do Cidadania (antigo PPS) na Câmara, Arnaldo Jardim, informou que sua legenda deve decidir nos próximos dias se entra com um pedido de impeachment de Bolsonaro. “Nossa análise inicial é de que a declaração dele atenta contra as instituições, mas queremos fazer análise jurídica mais cuidadosa”, afirmou.

O ex-bolsonarista Alexandre Frota (PSDB) também informou que já acionou um grupo de advogados para analisar a possibilidade de um pedido de impeachment.

“Estamos juntando elementos e trabalhando para ser uma peça consistente, séria e com elementos sustentáveis. Estou fazendo a minha parte para defender a democracia. Não vou me curvar e vou defender o Congresso”, disse Frota.

O deputado Paulo Pimenta (PT), por sua vez, disparou: “Não é nem do Brasil. Desconheço na história de qualquer democracia nos últimos 200 anos um presidente da República que convocou manifestações pedindo o fechamento do Congresso Nacional. O impeachment de Bolsonaro não é mais uma questão política, é uma questão civilizatória”.


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