30/01/2020 às 00h33min - Atualizada em 30/01/2020 às 00h35min

Apelo dos filhos de Bolsonaro garantiu novo cargo a Santini após demissão por viagem à Índia

No cargo de “número 2” da Casa Civil, de natureza especial, Santini recebia um salário bruto de R$ 17.327,65 mensais. No novo cargo, de categoria DAS 102.6, a remuneração prevista é de R$ 16.944,90 (R$ 382,75 a menos).

Apesar de ter sido aconselhado a romper, em definitivo, os laços do ex-secretário-executivo da Casa Civil Vicente Santini com o governo, Jair Bolsonaro (Sem Partido) acabou atendendo a um apelo de seus filhos.

Com isso, horas após ter sido demitido, Santini foi nomeado para uma assessoria especial da mesma pasta no Palácio do Planalto. Não só manteve um cargo no governo, como vai receber praticamente o mesmo salário.

Bolsonaro decidiu demitir Santini depois de ser informado que o então ministro interino da Casa Civil usou um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) para ir de Davos até a Índia. Chegou a dizer que discutiria com o ministro Onyx Lorenzoni outras medidas contra o ex-número dois da Casa Civil.

Como Santini não é um servidor concursado e tinha só um cargo comissionado (de confiança), interlocutores do presidente defenderam que ele não voltasse a trabalhar no governo.

Os filhos do presidente Eduardo e Flávio Bolsonaro, amigos de Santini, intercederam em favor dele. Foi lembrado que Santini, durante a campanha, chegou a conseguir segurança extra para a mulher de Bolsonaro, Michelle - intermediada por um irmão de Santini em São Paulo.

Os defensores do ex-secretário afirmam ainda que ele errou, mas não agiu de má-fé, e que sempre foi muito leal ao governo Bolsonaro. Essa linha de pensamento, encampada pelos filhos, venceu a discussão no governo.

No cargo de “número 2” da Casa Civil, de natureza especial, Santini recebia um salário bruto de R$ 17.327,65 mensais. No novo cargo, de categoria DAS 102.6, a remuneração prevista é de R$ 16.944,90 (R$ 382,75 a menos).

Em nota, a Casa Civil declarou que “o presidente [Bolsonaro] e Vicente Santini conversaram, e o presidente entendeu que o Santini deve seguir colaborando com o governo”.

Vicente Santini utilizou voos da FAB para acompanhar comitivas do governo em viagens oficiais à Suíça e à Índia. Ele viajou na condição de ministro em exercício, já que o titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está em férias.

Bolsonaro ficou irritado e argumentou que Santini poderia ter viajado em voo comercial, como outros ministros fizeram. A FAB e a Casa Civil afirmaram que o voo cumpriu as disposições legais, mas Bolsonaro classificou o ato como “imoral”.

“O que ele [Santini] fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de avião comercial, classe econômica”, afirmou Bolsonaro.


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