29/06/2022 às 19h55min - Atualizada em 29/06/2022 às 19h55min

Governo de São Paulo inaugura o Museu das Culturas Indígenas

Novo equipamento cultural do Estado está localizado ao lado do Complexo Baby Barione e apresenta um modelo inovador de gestão, em parceria com a comunidade indígena.

Redação
O governador Rodrigo Garcia (PSDB) inaugurou, nesta quarta-feira (29), o Museu das Culturas Indígenas, que abre oficialmente ao público a partir de amanhã e terá entrada gratuita durante todo o mês de julho. Parte do plano de expansão da rede museológica do Governo de São Paulo, que conta com 24 equipamentos culturais, o primeiro museu feito e conduzido por indígenas está localizado no Complexo Baby Barione, ao lado do Parque da Água da Branca, Zona Oeste da capital, e recebeu do Estado um repasse total de R$ 14 milhões. O novo museu apresenta uma forma inovadora de gestão e governança, tendo como premissa a participação e o protagonismo dos diversos povos e comunidades indígenas por meio do Conselho Indígena Aty Mirim.
 
A gestão do Museu das Culturas Indígenas será compartilhada entre a Organização Social de cultura ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari), e o Instituto Maracá, entidade que tem como finalidade a proteção, difusão e valorização do patrimônio cultural indígena. O novo museu tem sete andares, com 200 m2 cada, totalizando 1.400 m2 de área total. Haverá espaço para exposições de longa e curta duração, centros de pesquisa e referência, auditório, administrativo e reserva técnica.
 

“Esse é o primeiro museu feito pelos indígenas para os indígenas. O espaço reúne as lideranças indígenas com o objetivo de garantir protagonismo ao tema. O Governo do Estado de São Paulo tem uma função meio, na promoção e gestão do espaço, compartilhada com a Organização Social ACAM Portinari e as Lideranças Indígenas. Com isso, respeitamos o protagonismo dos indígenas, que precisam ocupar novos espaços, uma vez que perderam vários espaços ao longo dos séculos”, afirmou o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão”. “Tem sido um aprendizado muito rico, com uma interação muito positiva. E o museu é um território indígena”.
 
A curadoria dos artistas e obras está a cargo de Tamikuã Txihi, Denilson Baniwa e Sandra Benites, que escolheram, como exposições temporárias inaugurais, “Invasão Colonial Yvy Opata – A terra vai acabar”, de Xadalu Tupã Jekupé e “Ygapó: Terra Firme”, de Denilson Baniwa, ambos representantes da arte indígena contemporânea, que provocam o visitante a repensar a imagem que muitos têm sobre os povos originários do país.
 
“Eu vejo o Museu das Culturas Indígenas como uma grande escola, uma escola viva, que vai dialogar sobre história, arte, sobre cultura e as diversas formas de se pensar e transmitir conhecimentos, saberes e fazeres tradicionais, que até hoje não são dialogados dentro das escolas”, afirmou Cristine Takuá, diretora do Instituto Maracá e membro do Conselho Indígena Aty Mirim.
 

Exposições de abertura
Uma das mostras temporárias que inauguram o MCI, a Ocupação Decoloniza-SP Terra Indígena, ocupa as áreas externas, como muros e empenas, por meio de diferentes linguagens artísticas. Criada e executada por realizadores indígenas, a exposição destaca os grafismos Guarani e murais com onças, pintadas em duas grandes paredes externas. Tamikuã Txihi e Rita Sales Hunikuin são duas das artistas que assinam a mostra.
 
A exposição “Invasão Colonial Yvy Opata – A terra vai acabar”, do artista Xadalu Tupã Jekupé, traz, com sua estética na arte urbana contemporânea, a demarcação dos deslocamentos territoriais com múltiplas linguagens e o território identitário indígena ameaçado pela sociedade ocidental. Sua obra denuncia como os territórios originários em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, estão sendo engolidos pelo cimento da cidade. Cercas de arame revelam, não apenas a violência da invasão, mas o estado de segregação étnica em que vive o Povo Guarani, e a asfixia do espaço, cada vez menor, das terras indígenas. A mostra “Ygapó: Terra Firme”, do artista e curador Denilson Baniwa, é um convite para adentrar a floresta Amazônica por meio de experiências sensoriais. A mostra traz produções contemporâneas, tradicionais, sonoras e visuais de músicos indígenas.
 

Serviço:
Museu das Culturas Indígenas
Terça a domingo, das 9h às 18h
Quinta-feira, das 9h às 20h
Ingresso: R$ 15 inteira, R$ 7,50 meia (indígenas não pagam ingresso). Às quintas-feiras, a entrada é grátis.
Entrada: Link
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