17/03/2022 às 10h40min - Atualizada em 17/03/2022 às 10h40min

Azeite de oliva cuidado com fraudes

Mais de 150 mil garrafas de azeite de oliva são apreendidas por irregularidade.

Redação
O Brasil é um dos mercados que mais cresceu na importação de azeite de oliva. De acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI), nos últimos 20 anos, o consumo do produto no país aumentou de 18mil toneladas para 104mil toneladas. Parece que o brasileiro incluiu os benefícios do azeite no cardápio e não abre mão da iguaria na mesa. Mas você sabia que o azeite é o segundo produto alimentar mais sofre fraude? A informação é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que, em dezembro, em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), constatou adulterações e suspendeu a comercialização de 151.449 garrafas de azeite de oliva extravirgem em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Goiás, Paraná e Santa Catarina.
 
Na operação, foram encontradas 24 marcas alteradas sendo comercializadas nos supermercados (confira a lista no final da matéria. As irregularidades identificadas são produtos sem registros, fraudados, clandestinos e contrabandeados. De acordo com a Agência, a análise de confirmação de adulteração é complexa, exige especialistas e equipamentos sofisticados. As fraudes dos produtos são confirmadas em laudos analíticos avaliados pela rede oficial de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA).
 
Legislação
A legislação brasileira reconhece três tipos de azeite de oliva: extravirgem, virgem e lampante. Os dois primeiros podem ser consumidos in natura, mantendo todos os aspectos benéficos ao organismo. O terceiro, o lampante, deve ser refinado para ser consumido – é quando passa a ser classificado como azeite de oliva refinado, antes desse refino é considerado impróprio para consumo.
 
A fiscalização do azeite de oliva tem como base a Lei n° 9.972/2000, regulamentada pelo Decreto Federal n° 6.268/2007, e pela Instrução Normativa do Mapa n° 1/2012, que estabelece o regulamento técnico do produto.
 
Benefícios à saúde
De acordo com Pryscilla Casagrande, coordenadora do Centro de Competência de Alimentação e Saúde da PROTESTE, entre os azeites, o de oliva extravirgem é o melhor de todos. “O azeite de oliva extravirgem é obtido na primeira prensagem a frio das azeitonas, sendo o mais saudável dos azeites. Como não é refinado, mantém seus nutrientes integralmente, principalmente os antioxidantes, e possui alta qualidade gastronômica devido ao sabor acentuado”, explica.
 
Na sua composição o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, mais especificamente o ácido oleico, conhecido como ômega-9, e o extravirgem contém polifenóis e vitamina E. Alguns estudos já comprovam que ele possui propriedades anti-inflamatórias, ajuda na prevenção de doenças cardíacas, reduz o risco de diabetes, favorece a saúde dos ossos, e outros estudos estão em andamento e faltam comprovação, como o combate a algumas bactérias no organismo, o auxílio na prevenção de alguns tipos de câncer e a possível redução ao risco de Alzheimer.
 
Enfim, inclui-los na alimentação pode trazer incontestáveis benefícios, mas Pryscilla já avisa: “Infelizmente o consumidor ainda sofre com a fraude. Neste caso a dor não é somente no bolso, mas também na saúde. Além de ser enganado e não absorver, realmente, os benefícios do azeite de oliva, a substituição pode ter outras consequências. A inclusão do óleo de soja no produto, sem constar no rótulo, é um problema para os alérgicos, por exemplo. Com a adulteração, esse público não tem conhecimento do que realmente está consumindo e pode ter o seu bem-estar afetado. Sem contar que alguns corantes também são potencialmente alergênicos e podem trazer danos à saúde”.
 
Teste da PROTESTE
A PROTESTE tem como compromisso a qualidade e a clareza das ofertas para o consumidor, e o azeite não está fora dessa. Desde 2002, a associação realiza testes de qualidade com lotes de azeite de oliva extravirgem das principais marcas disponíveis no mercado brasileiro. "Nossos resultados buscam conscientizar o consumidor sobre a composição desses produtos. Identificamos irregularidades, mas também apontamos escolhas mais seguras", diz a especialista. O último teste, realizado em 2019, identificou problemas em cinco lotes de marcas de azeite extravirgem. Após a conclusão das análises, a PROTESTE ingressou com ações judiciais contra as empresas, em todos os casos as empresas precisaram retirar os lotes dos produtos do mercado.
 
De acordo com Pryscilla, todos os parâmetros informados na legislação são importantes para avaliação da qualidade do produto final, e cada um deles fornece uma resposta específica. Na rotulagem, a PROTESTE verifica se todas as informações exigidas pela legislação estão presentes. No quesito qualidade é avaliado os teores de umidade, a presença de metais e impurezas, entre outros itens que indicam que um azeite é de qualidade. “Já a análise sensorial consegue avaliar os efeitos combinados dos compostos que formam aromas e sabores complexos, por meio de estímulos perceptíveis aos sentidos humanos, no caso do azeite: olfativo e paladar”, explica a especialista.
 
Na prateleira
Entre as diversas opções disponíveis no mercado, o consumidor que não reconhece as características de um verdadeiro azeite de oliva pode sair perdendo. Mas tranquilize-se, é possível considerar alguns itens que vão garantir uma melhor escolha na hora de levar uma marca para casa e evitar fraude no azeite. Confira:
 
Classificação – esse é o primeiro passo. O extravirgem é o de melhor qualidade. Além disso, quanto mais jovem for o azeite, mais preservadas estarão suas propriedades nutricionais. Para identificar, o consumidor deve se atentar à data de envase do produto. O ideal é comprar aquele que ainda não tenha completado seis meses desde que foi envasado.
 
Rótulo – informações como “óleo composto” ou “tempero misto” são expressões que indicam que o produto não se trata de um verdadeiro azeite de oliva, e foi misturado a outros óleos vegetais, como o de soja ou de girassol. Além de prejudicar a pureza do azeite de oliva, esses óleos normalmente passam por processos químicos e concentram diversos tipos de gorduras, que não são necessariamente boas. A opção mais segura é azeite de oliva envasado em garrafas de vidro e normalmente escuras.
 
Acidez – ela deve ser inferior a 0,8%. Normalmente, a acidez entre os tipos de azeite se dá da seguinte forma: o extra virgem com menos de 0,8%, virgem entre 0,8% e 2% e lampante com acidez maior que 2%. Mas a acidez quando analisada de forma isolada, não diz tudo sobre o azeite, apenas parte dele. “A acidez está relacionada à qualidade do produto, porém não pode ser vista sozinha – é apenas um dos parâmetros químicos que classifica comercialmente o produto. Um azeite pode ter o nível de acidez em 0,1% ou menos e, no entanto, ter um índice de peróxido altíssimo, por exemplo. Sendo assim, ele pode estar rançoso, porém com a acidez baixa. Portanto, a escolha do produto não deve ser baseada apenas nesse parâmetro. Além disso, a variação da acidez é imperceptível ao paladar”, comenta Pryscilla.
 
Preço – desconfie de preços muito abaixo dos praticados pelo mercado – é um alerta que podem estar ocorrendo fraudes.
 
Importados – prefira os que forem produzidos e envasados na origem. É obrigatório que contenham em seus rótulos as informações do local de produção e de envase.
 
Confira a lista de marcas irregulares interceptadas no mercado em 2021:
  • Alcazar
  • Alentejano
  • Anna
  • Barcelona
  • Barcelona Vitrais
  • Castelo dos Mouros
  • Coroa Real
  • Da Oliva
  • Del Toro
  • Do Chefe
  • Épico
  • Fazenda Herdade
  • Figueira da Foz
  • llha da Madeira
  • Monsanto
  • Monte Ruivo
  • Porto Galo
  • Porto Real
  • Quinta da Beira
  • Quinta da Regaleira
  • Torre Galiza
  • Tradição
  • Tradição Brasileira
  • Valle Viejo

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