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Tem quem goste, mas o horário de verão pode prejudicar a saúde e o trabalho

Ele causa desconforto para a maioria das pessoas, podendo prejudicar a saúde, o rendimento no trabalho e nos estudos e levar a acidentes. Foi considerado ineficaz para gerar economia no setor elétrico, seu principal objetivo, e o governo cogitou descartá-lo esse ano. Mesmo assim, mais um horário de verão vem aí. Os relógios deverão ser adiantados em uma hora à meia-noite do domingo (15).

 

“Todo mundo vai sentir certo desconforto nos primeiros dias”, diz Cláudia Moreno, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Estocolmo. Mesmo quem gosta do horário de verão deverá sentir algum efeito, como se tivesse viajado para um lugar com diferente fuso-horário.

 

Isso ocorre porque temos dois relógios. Um é o biológico, ligado ao ritmo das secreções hormonais e do funcionamento dos órgãos do nosso corpo. O outro, o social, que marca a hora de entrar no trabalho, na faculdade ou escola. Nosso relógio biológico está sincronizado com o ambiente, o dia e a noite. Obedecer ao horário social depende de adaptação do organismo, que varia de pessoa para pessoa. E quando esse horário muda, cria-se um descompasso que exige nova adaptação.

 

“Toda vez que muda o horário externo, o corpo precisa ajustar o horário de dormir e de acordar, a secreção de melatonina [que dá sono] e de cortisol [que desperta]”, diz Fernando Louzada, professor de neurociência da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“A entrada do horário de verão reduz o nosso relógio social em uma hora. Nosso ritmo biológico é de um pouco mais de 24 horas. Isso tem um efeito no organismo humano”, segundo Cláudia Moreno, pesquisadora da USP

 

A adaptação ocorre claro. “Nosso sistema nervoso é plástico. É o que nos permite viajar e se adaptar à variação temporal”, diz a pesquisadora. O problema é que há pessoas que têm dificuldade muito maior de se adaptar. Um estudo feito com mais de 12 mil pessoas, publicado na revista Annals of Human Biology , mostra que a maioria (54,57%) relata desconforto com o horário de verão. E cerca de 25% dizem sofrer desconforto durante todo o período em que o relógio adiantado fica em vigor.

 

Quem mais sofre são as pessoas vespertinas, que gostam de ir dormir mais tarde e possuem dificuldade natural para acordar cedo. Quem tem flexibilidade para acordar mais tarde, pode se adaptar melhor. “O sofrimento é maior para quem bate cartão”, diz Louzada.

 

Os vespertinos muitas vezes já estão no limite para ajustar o horário de acordar, dormindo menos do que gostariam. Com o horário de verão, vão ter que dormir ainda menos diz Fernando Louzada, pesquisador da UFPR

 

A desarmonia entre o horário do corpo e o do despertador pode causar consequências graves, dizem os especialistas. Sonolência e a privação de sono são apontadas como causas de acidentes de trânsito e de trabalho. As mudanças nos horários das refeições levam a alterações gastrointestinais. E mudanças no humor elevam as chances de brigas com o chefe e de conflitos familiares.

 

Não é preguiça ou mau hábito. Preferir acordar tarde pode ser uma característica pessoal determinada pelos nossos genes. A descoberta de mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos e dos genes que regulam o relógio biológico rendeu o Nobel de Medicina deste ano para pesquisadores dos EUA.

 

As pessoas têm diferenças genéticas. Não é simples dizer para alguém “agora você vai acordar mais cedo porque precisa”, Fernando Louzada, pesquisador da UFPR

 

Para o pesquisador, conhecemos o perfil de sono de uma pessoa nas férias. “Uma coisa é o que a pessoa faz e outra é o que gostaria de fazer. Uma pessoa matutina acorda às 6h, 7h mesmo nas férias. A vespertina vai dormir às 5h, 6h da manhã e acordar depois do meio-dia”.

 

A maioria das pessoas possui um período de sono intermediário, dormindo mais ou menos entre as 22h e às 6h. E uma minoria tem relógios biológicos mais extremos, que levam a dormir e acordar muito cedo ou muito tarde. A quantidade de sono necessária para cada pessoa também varia. Quem está no limite da adaptação ao relógio social dá sinais disso nos finais de semana. “É quem acorda meio-dia, uma hora, dorme muito, tentando compensar”, diz.

 

De acordo com a pesquisa da Annals of Human Biology, adolescentes vespertinos e mulheres relataram mais desconfortos com o horário de verão. “Na adolescência, a criança matutina fica um pouco menos matutina. Já a vespertina fica mais vespertina ainda”, explica Louzada. É a que sofre para acordar cedo, chega atrasada na escola, fica mal-humorada, o que pode ter reflexo na atenção e no desempenho acadêmico.

 

Para o especialista, a maior dificuldade de adaptação das mulheres ao horário de verão pode estar ligada a aspectos da desigualdade de gênero, com a dupla jornada de trabalho ligada às tarefas domésticas e a uma menor flexibilidade para negociar horários no emprego.

Ele causa desconforto para a maioria das pessoas, podendo prejudicar a saúde, o rendimento no trabalho e nos estudos e levar a acidentes. Foi considerado ineficaz para gerar economia no setor elétrico, seu principal objetivo, e o governo cogitou descartá-lo esse ano. Mesmo assim, mais um horário de verão vem aí. Os relógios deverão ser adiantados em uma hora à meia-noite do domingo (15).

 

“Todo mundo vai sentir certo desconforto nos primeiros dias”, diz Cláudia Moreno, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Estocolmo. Mesmo quem gosta do horário de verão deverá sentir algum efeito, como se tivesse viajado para um lugar com diferente fuso-horário.

 

Isso ocorre porque temos dois relógios. Um é o biológico, ligado ao ritmo das secreções hormonais e do funcionamento dos órgãos do nosso corpo. O outro, o social, que marca a hora de entrar no trabalho, na faculdade ou escola. Nosso relógio biológico está sincronizado com o ambiente, o dia e a noite. Obedecer ao horário social depende de adaptação do organismo, que varia de pessoa para pessoa. E quando esse horário muda, cria-se um descompasso que exige nova adaptação.

 

“Toda vez que muda o horário externo, o corpo precisa ajustar o horário de dormir e de acordar, a secreção de melatonina [que dá sono] e de cortisol [que desperta]”, diz Fernando Louzada, professor de neurociência da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“A entrada do horário de verão reduz o nosso relógio social em uma hora. Nosso ritmo biológico é de um pouco mais de 24 horas. Isso tem um efeito no organismo humano”, segundo Cláudia Moreno, pesquisadora da USP

 

A adaptação ocorre claro. “Nosso sistema nervoso é plástico. É o que nos permite viajar e se adaptar à variação temporal”, diz a pesquisadora. O problema é que há pessoas que têm dificuldade muito maior de se adaptar. Um estudo feito com mais de 12 mil pessoas, publicado na revista Annals of Human Biology , mostra que a maioria (54,57%) relata desconforto com o horário de verão. E cerca de 25% dizem sofrer desconforto durante todo o período em que o relógio adiantado fica em vigor.

 

Quem mais sofre são as pessoas vespertinas, que gostam de ir dormir mais tarde e possuem dificuldade natural para acordar cedo. Quem tem flexibilidade para acordar mais tarde, pode se adaptar melhor. “O sofrimento é maior para quem bate cartão”, diz Louzada.

 

Os vespertinos muitas vezes já estão no limite para ajustar o horário de acordar, dormindo menos do que gostariam. Com o horário de verão, vão ter que dormir ainda menos diz Fernando Louzada, pesquisador da UFPR

 

A desarmonia entre o horário do corpo e o do despertador pode causar consequências graves, dizem os especialistas. Sonolência e a privação de sono são apontadas como causas de acidentes de trânsito e de trabalho. As mudanças nos horários das refeições levam a alterações gastrointestinais. E mudanças no humor elevam as chances de brigas com o chefe e de conflitos familiares.

 

Não é preguiça ou mau hábito. Preferir acordar tarde pode ser uma característica pessoal determinada pelos nossos genes. A descoberta de mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos e dos genes que regulam o relógio biológico rendeu o Nobel de Medicina deste ano para pesquisadores dos EUA.

 

As pessoas têm diferenças genéticas. Não é simples dizer para alguém “agora você vai acordar mais cedo porque precisa”, Fernando Louzada, pesquisador da UFPR

 

Para o pesquisador, conhecemos o perfil de sono de uma pessoa nas férias. “Uma coisa é o que a pessoa faz e outra é o que gostaria de fazer. Uma pessoa matutina acorda às 6h, 7h mesmo nas férias. A vespertina vai dormir às 5h, 6h da manhã e acordar depois do meio-dia”.

 

A maioria das pessoas possui um período de sono intermediário, dormindo mais ou menos entre as 22h e às 6h. E uma minoria tem relógios biológicos mais extremos, que levam a dormir e acordar muito cedo ou muito tarde. A quantidade de sono necessária para cada pessoa também varia. Quem está no limite da adaptação ao relógio social dá sinais disso nos finais de semana. “É quem acorda meio-dia, uma hora, dorme muito, tentando compensar”, diz.

 

De acordo com a pesquisa da Annals of Human Biology, adolescentes vespertinos e mulheres relataram mais desconfortos com o horário de verão. “Na adolescência, a criança matutina fica um pouco menos matutina. Já a vespertina fica mais vespertina ainda”, explica Louzada. É a que sofre para acordar cedo, chega atrasada na escola, fica mal-humorada, o que pode ter reflexo na atenção e no desempenho acadêmico.

 

Para o especialista, a maior dificuldade de adaptação das mulheres ao horário de verão pode estar ligada a aspectos da desigualdade de gênero, com a dupla jornada de trabalho ligada às tarefas domésticas e a uma menor flexibilidade para negociar horários no emprego.

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