Democracia brasileira é a pior, segundo pesquisa

A democracia brasileira é a que tem o pior funcionamento entre os 18 países pesquisados para a edição 2017 do Latinobarômetro, uma ONG chilena que faz, desde 1995, uma consistente avaliação dos humores dos latino-americanos. Os dados, divulgados na sexta-feira (29), são de impressionante contundência em relação ao Brasil, a ponto de apenas 13% dos brasileiros consultados se declararem satisfeitos com o funcionamento da democracia, último posto no ranking. Atrás até dos 22% de satisfação na Venezuela, governo classificado como ditatorial.

 

O relatório deixa claro que a insatisfação não é com a democracia como modelo de organização política. No Brasil, por exemplo, 62% consideram a democracia como o melhor sistema de governo, porcentagem que, no conjunto da América Latina, sobe para 70%. O apoio à democracia, aliás, vem subindo sistematicamente, desde o piso mais baixo encontrado (30% em 2001, penúltimo ano do governo Fernando Henrique Cardoso). Agora é de 43%, 11 pontos acima de 2016. O descontentamento, que é geral na região, é, portanto, com o funcionamento do modelo, não com ele propriamente dito.

 

No Brasil, os números são alarmantes. Quando a pergunta é se o governo age para o bem de todos, apenas 3% dos brasileiros concordam de novo no último lugar da tabela. Na média da América Latina, 21% dizem que sim. Corolário inevitável: 96% dos brasileiros acham que se governa só para “grupos poderosos”, porcentagem bem superior aos 75% da média latino-americana. Entende-se, por essa resposta, que apenas 1% dos brasileiros considera que o país vive em uma “democracia plena”. De novo, último lugar no ranking.

 

Natural também que, quando se pede uma nota de 0 (não é democrático) a 10 (totalmente democrático), a do Brasil foi de 4,4 (a da América Latina, de 5,5).

 

Quando, em vez da democracia, se mede o apoio ao governo, o resultado é idêntico ao de todas as demais pesquisas: só 6% apoiam o governo Michel Temer, um sexto da média latino-americana, de 36%, bem abaixo da primeira colocada, a Nicarágua (67%), e abaixo até da Venezuela em grave crise (32%).

 

Se não confia no governo atual, o brasileiro tampouco confia nos seus conterrâneos: só 7% dizem ter confiança na maioria dos demais brasileiros, de novo o último lugar na tabela, a metade do resultado médio da América Latina, e longe dos 23% do Chile, primeiro colocado nesse quesito.

 

Das instituições, a mais confiável para os brasileiros é a Igreja: 69% confiam nela. Para as demais, as porcentagens são as seguintes: Forças Armadas (50%); polícia (34%); Justiça Eleitoral (25%); Judiciário (27%); governo como instituição não personalizada (8%, último lugar no ranking); Parlamento (11%, penúltimo lugar, superando apenas o Paraguai, com 10%) e partidos políticos (7%, também no último lugar).

 

  • 13% dos brasileiros acham que a democracia funciona bem
  • 22% dos venezuelanos estão satisfeitos com a democracia
  • 96% acham que o governo no Brasil age para os poderosos
  • 8% do povo brasileiro confia no governo como instituição
  • 11% confiam no Parlamento do Brasil, penúltimo no ranking

 

Pela primeira vez em seus 22 anos, a pesquisa de opinião pública Latinobarômetro colocou a corrupção como principal preocupação de um país da região. Esse país é o Brasil, no qual, de acordo com a ONG, cerca de 31% dos habitantes consideram que a corrupção é o principal problema nacional. O resultado surpreendeu a coordenadora da pesquisa, a chilena Marta Lagos. “Nunca antes na história de nossa pesquisa a corrupção tinha estado em primeiro lugar na lista de preocupações de um país. E não somente isso, um terço dos brasileiros manifestou essa preocupação, é muita gente”, disse.

 

Marta Lagos afirma, no entanto, que outros países também registraram índices históricos de preocupação com a corrupção. “O caso do Brasil é grave, mas o Brasil não está sozinho. Há dez anos, a corrupção sequer aparecia com dados significativos. Hoje está presente e com peso em quase dez países do continente”, explicou.

 

O índice de 31% dos brasileiros apontando a corrupção como principal problema é três vezes superior à média latino-americana, de 10%.

Outro dado impressionante revelado pelo levantamento: 80% dos brasileiros acham que o governo atua “mal” ou “muito mal” no combate à corrupção, muito mais do que a média da região (53%).

 

A pesquisa de opinião pública é realizada uma vez por ano, desde 1995, pela ONG Latinobarômetro em todos os países da América Latina e goza de grande prestígio na região.

A democracia brasileira é a que tem o pior funcionamento entre os 18 países pesquisados para a edição 2017 do Latinobarômetro, uma ONG chilena que faz, desde 1995, uma consistente avaliação dos humores dos latino-americanos. Os dados, divulgados na sexta-feira (29), são de impressionante contundência em relação ao Brasil, a ponto de apenas 13% dos brasileiros consultados se declararem satisfeitos com o funcionamento da democracia, último posto no ranking. Atrás até dos 22% de satisfação na Venezuela, governo classificado como ditatorial.

 

O relatório deixa claro que a insatisfação não é com a democracia como modelo de organização política. No Brasil, por exemplo, 62% consideram a democracia como o melhor sistema de governo, porcentagem que, no conjunto da América Latina, sobe para 70%. O apoio à democracia, aliás, vem subindo sistematicamente, desde o piso mais baixo encontrado (30% em 2001, penúltimo ano do governo Fernando Henrique Cardoso). Agora é de 43%, 11 pontos acima de 2016. O descontentamento, que é geral na região, é, portanto, com o funcionamento do modelo, não com ele propriamente dito.

 

No Brasil, os números são alarmantes. Quando a pergunta é se o governo age para o bem de todos, apenas 3% dos brasileiros concordam de novo no último lugar da tabela. Na média da América Latina, 21% dizem que sim. Corolário inevitável: 96% dos brasileiros acham que se governa só para “grupos poderosos”, porcentagem bem superior aos 75% da média latino-americana. Entende-se, por essa resposta, que apenas 1% dos brasileiros considera que o país vive em uma “democracia plena”. De novo, último lugar no ranking.

 

Natural também que, quando se pede uma nota de 0 (não é democrático) a 10 (totalmente democrático), a do Brasil foi de 4,4 (a da América Latina, de 5,5).

 

Quando, em vez da democracia, se mede o apoio ao governo, o resultado é idêntico ao de todas as demais pesquisas: só 6% apoiam o governo Michel Temer, um sexto da média latino-americana, de 36%, bem abaixo da primeira colocada, a Nicarágua (67%), e abaixo até da Venezuela em grave crise (32%).

 

Se não confia no governo atual, o brasileiro tampouco confia nos seus conterrâneos: só 7% dizem ter confiança na maioria dos demais brasileiros, de novo o último lugar na tabela, a metade do resultado médio da América Latina, e longe dos 23% do Chile, primeiro colocado nesse quesito.

 

Das instituições, a mais confiável para os brasileiros é a Igreja: 69% confiam nela. Para as demais, as porcentagens são as seguintes: Forças Armadas (50%); polícia (34%); Justiça Eleitoral (25%); Judiciário (27%); governo como instituição não personalizada (8%, último lugar no ranking); Parlamento (11%, penúltimo lugar, superando apenas o Paraguai, com 10%) e partidos políticos (7%, também no último lugar).

 

  • 13% dos brasileiros acham que a democracia funciona bem
  • 22% dos venezuelanos estão satisfeitos com a democracia
  • 96% acham que o governo no Brasil age para os poderosos
  • 8% do povo brasileiro confia no governo como instituição
  • 11% confiam no Parlamento do Brasil, penúltimo no ranking

 

Pela primeira vez em seus 22 anos, a pesquisa de opinião pública Latinobarômetro colocou a corrupção como principal preocupação de um país da região. Esse país é o Brasil, no qual, de acordo com a ONG, cerca de 31% dos habitantes consideram que a corrupção é o principal problema nacional. O resultado surpreendeu a coordenadora da pesquisa, a chilena Marta Lagos. “Nunca antes na história de nossa pesquisa a corrupção tinha estado em primeiro lugar na lista de preocupações de um país. E não somente isso, um terço dos brasileiros manifestou essa preocupação, é muita gente”, disse.

 

Marta Lagos afirma, no entanto, que outros países também registraram índices históricos de preocupação com a corrupção. “O caso do Brasil é grave, mas o Brasil não está sozinho. Há dez anos, a corrupção sequer aparecia com dados significativos. Hoje está presente e com peso em quase dez países do continente”, explicou.

 

O índice de 31% dos brasileiros apontando a corrupção como principal problema é três vezes superior à média latino-americana, de 10%.

Outro dado impressionante revelado pelo levantamento: 80% dos brasileiros acham que o governo atua “mal” ou “muito mal” no combate à corrupção, muito mais do que a média da região (53%).

 

A pesquisa de opinião pública é realizada uma vez por ano, desde 1995, pela ONG Latinobarômetro em todos os países da América Latina e goza de grande prestígio na região.

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